Acho que sou invisível! 

Tive que dar um Google para ter certeza de que a lei da física de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço é real e não invenção da minha cabeça. Como é real, minha outra teoria é que talvez eu seja invisível. Mas meu reflexo continua aparecendo no espelho, então, devo existir. Agora, a dúvida que não quer calar, então por que, me expliquem, por que, as pessoas resolvem ocupar o mesmo espaço que eu, ou grudam na minha pessoa na fila ou qualquer outro momento “parada, esperando em ambiente público”? Tudo bem que não curto que pessoas estranhas encostem em mim, com exceção de quando estou bêbada e algum boy magia me agarra, acredito que a regra que aprendi na escola, de um braço de distância da pessoa ao lado ou à frente, deveria valer. Eu, pelo menos, sempre a coloco em ação. Mas, se a lei da física não é invenção da minha cabeça e ainda não sou invisível, então por que, por que, a pessoa tem que grudar? Quando estou na fila e sinto uma presença atrás de mim, já fico logo feliz achando que finalmente serei abduzida por um ET, poderei tirar uma selfie com ele, postar nas redes sociais e ficar rica, mas não, é apenas alguém bem sem educação fungando no meu cangote, como se assim, a fila andasse mais rápido. Outra situação que me deixa dando pulos de alegria, e que se eu tivesse a autoestima baixa, me faria saltar da ponte, é a deliciosa experiência de estar em pé na calçada, esperando para atravessar a rua, quando um ser humano brota do chão e para exatamente onde estou. Por que? Por que? É tão difícil assim perceber que existe uma pessoa ali? Se a rua estivesse lotada de gente, ia ser frescura minha, mas se sou o único ser vivo, além das bactérias, ali presente, por que grudar em mim? E no busão então! Dificilmente o meu ônibus vem lotado, além do ar circulando livremente entre os assentos, do motorista mosca morta e do cobrador que dorme, são poucos os passageiros, então por que, por que, na hora de descer, o outro ser humano gruda em mim e ainda tenta passar na frente para descer primeiro?? Você leitor, se já andou de ônibus em SP alguma vez na sua vida, mas deve ser assim em outros locais do mundo, deve saber que o espaço entre o corredor do ônibus e a porta de saída deve ter uns pouquíssimos metros, não preciso quantos porque nunca soube medir metros e tenho uma inveja de quem diz assim “fulano está a 100 metros de você!”, nesses casos nem sei pra onde olhar! Voltando ao assunto, então por que, por que, a pessoa quer passar na frente para sair primeiro??? Por isso estava achando que sou invisível. Tudo bem que emagreci bem com esses quatro meses de malhação pesada, mas tenho ossos largos e cabelo armado, então, não deve ser difícil me ver né; acho que não faz falta um óculos de visão noturna nessas horas né, é possível perceber que existe um ser humano ali em pé né? E vai chegar quanto tempo antes me atropelando, um segundo! Tem gente que acha que eu exagero, mas na dúvida, um braço de distância não mata ninguém, pelo contrário! 🙋🏻🙏🏻➡️➡️➡️

Enquete: sou invisível?; dois corpos ocupam o mesmo lugar no espaço?; pra que respeitar se posso empurrar?

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Eu vejo o copo meio vazio com orgulho! 

Pensa assim, você tá com a vida toda fudida. Sem grana, sem emprego, sem amigos, sem namorado, só quem te faz companhia são as contas que não esquecem seu endereço nem que passe um tornado sobre elas. Aí, você sai do seu recolhimento existencial, resolve ligar a TV e aumentar um pouco o cosumo de energia e o valor da conta de luz e aparece um ser humano dando lição de moral sobre a existência. A pessoa, especialista em psicologia de botequim, coloca um copo com água até a metade sobre a mesa e pergunta: “você vê o copo meio cheio ou meio vazio?”. “É lógico que está meio vazio! Dã!” Após essa conclusão, que para você (no caso eu mesma, mas não quero me comprometer) não aceita refutações, o ser humano explica: “quem vê o copo meio vazio é uma pessoa infeliz, com baixa autoestima e pessimista. O certo é ver o copo meio cheio, sinal de esperança e otimismo”. Gezuis do céu, vou pagar mais caro na conta de luz para ouvir a mulher dizer que não tenho autoestima? Não né. Ninguém vai ofender minha autoestima e sair ileso. E como tenho muito tempo livre e a mulher não pode interromper minhas divagações – até o abandono existencial tem seu lado bom em certos momentos – resolvo analisar a situação do ponto de vista filosófico porque, pasmem, sou Filósofa, formada e tudo. Bem que minha mãe me disse para escolher uma profissão que desse lucro e eu escolhi logo três para ter a certeza absoluta do desemprego: atriz, filósofa e jornalista! 😂😂 Enfim, do ponto de vista filosófico, toda verdade tem, ao menos, dois lados. Sendo assim, ver o copo meio vazio não significa, necessariamente, ser pessimista. Acompanhe meu raciocínio: se eu vejo que ainda falta metade do caminho a ser completado, isso significa que tenho que me esforçar mais para alcançar meu objetivo, certo? Ver que o copo está meio vazio, mostra que não sou acomodada, prevejo que muito tem de ser feito até que o copo volte a estar cheio. Além do que, se o copo estiver meio vazio e não meio cheio, estarei mais perto do fracasso do que do sucesso e terei mais humildade (claro, hipoteticamente 😂😂😂) para entender o quanto a vida é efêmera e o quanto deve ser valorizada! Enquanto quem vê sempre o copo meio cheio pode ser uma pessoa mais acomodada, que não se dá conta de que o sucesso nem sempre é uma realidade! 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻 Obrigada, não precisa cassar o registro de psicóloga da tiazinha, mas pensar fora da caixa, ajuda. Quem vive fudida, aprende rápido que a realidade aparente não representa a Verdade do mundo, propor uma outra forma de pensar faz parte da nossa função social no mundo. E como, apesar de não sermos verbos, somos reflexivos, vai uma ideia do meu saudoso chapa Milton Santos: “Mesmo o óbvio precisa ser dito em certas ocasiões”. 😎😝🙀

Enquete: vai se tratar e para de encher; o Milton é quem? Me perdi na história; até te daria uma esmola, mas só tenho cartão! 

Divagações sobre o vernáculo!! 

Não sei como se chama a pessoa proveniente do Mundo da Lua, mas se soubesse, isso me definiria. Muitas vezes sou surpreendida olhando fixamente para o nada, parada em externada inexistência. Pode até parecer que estou conversando com a casca da banana recém comida sobre a mesa, ou que o lápis escuta minhas confidências e por aí vai, mas, muitas vezes, estou pensando em palavras. Isso mesmo, não é depressão nem vontade de me matar, nem problemas infindáveis que me tirem a razão, nada disso, fico pensando em palavras. Desde criança me encanto com a palavra “cabelo”. A sonoridade, o fato de cabelo e cadeira, por exemplo, não significarem a mesma coisa. E por que não? Quem determinou seus significados? Por que pronunciamos todas as sílabas? Fico horas encantada com a origem das palavras, talvez por isso mesmo ame tanto aprender novos idiomas e adore comparar a palavra em português com seus correlativos em outras línguas, pelo menos as latinas e o inglês. Gostaria de saber como se diz “cabelo” em russo, em alemão. Porque, em português, essa palavra é tão suave, inocente e delicada. Lembro de quando descobri, em uma aula de português, em algum texto de Machado de Assis talvez, a palavra “ósculo”. Sua sonoridade, dramaticidade, o jeito como os lábios se entremeiam com a língua ao pronunciá-la deixam bem claro, que seu significado, está mais do que certo: “beijo”. Em francês, existem palavras que são usadas de forma poética, mas significam, obviamente, o mesmo que aquelas de uso coloquial. Em português é igual, mas talvez a gente nunca se dê conta. Um poeta não rouba um beijo, ele apossa-se de um ósculo. Acho encantadora a maneira como as palavras se formam e seu som representa seu conceito. Então, da próxima que me vir encarando o nada, desse niilismo, só terei pensamentos, divagações sobre o vernáculo, certamente. 🙋❤️📖

Enquete: permita-me oscular sua face; ei, acorda dona Maria; não entendi nada, repete!

Para onde você vai no feriado, amiga?

Existe uma euforia no mundo quando um feriado se aproxima. Quase todo mundo pergunta: “vai viajar para onde?” , como se fosse obrigação viajar em feriado. Aí você não vai assinar atestado de pobreza dizendo a verdade: “amiga, tô falida, não posso pagar nem os R$ 3,50 da viagem do ônibus!” 😢😢  enquanto sua bff posta fotos no Caribe com o namorado dinamarquês podre de rico. Você sabe que seu futuro será ficar em casa, comendo os restos da semana, provavelmente com a mesma roupa todos os dias, sem lavar o cabelo, sem namorado e vendo maratona de série no computador – o que já foi provado cientificamente que é coisa de mulher encalhada, mas quem liga! Por isso, quando sua amiga rica, linda, magra, popular te perguntar “vai viajar pra onde no feriado, amiga?”, você dá uma pausa dramática, respira fundo enquanto o filme da sua desgraça passa em frente aos seus olhos, e declara com firmeza: “não gosto de multidões, prefiro deixar para viajar fora de temporada! Além do que, é tão raro SP ficar vazia, que quero aproveitar essa oportunidade para fazer tudo que não tenho tempo normalmente!” e finaliza a farsa com um suspiro apaixonado pela cidade! 😂😂😂 Sua amiga até fica com culpa por ter de ir viajar e não poder aproveitar a cidade com você. E as fotos nas redes socais? Puta que pariu, a tecnologia só veio piorar a vida de uma pessoa desprovida de verba-feriado! Bom, aí nada como ser esnobe: “não vou ficar postando foto em museu, cinema, festas e mais festas só para mostrar para os outros! Não sou tão fútil e infantil a esse ponto!” 😂😂😂😂 Agora você lacrou com chave de ouro, sua amiga vai morrer de remorso cada vez que postar uma foto no iate do boy magia no Caribe. “Plebeus”, pensará a você que ela crê que você seja. “Vida do cão!”, esbravejará a você que não tem nobreza nenhuma, nem na alma nem no bolso! 😈🙋🏻 

Enquete: para onde você vai viajar no feriado, amiga?; vai para Paris ou Roma?; vai com qual boy dessa vez?

A arte paulista de formar fila!

Definir as pessoas pelas suas atitudes é bem idiota, mas, mesmo assim, não posso deixar de constatar que você consegue reconhecer um paulista com um exercício fácil: junte duas pessoas em frente a um bar, restaurante ou caixa e espere um pouco. Em questão de segundos você olha outra vez para aquelas duas pessoas iniciais e elas se multiplicaram mais do que coelho no cio! Ilusão de ótica? não, é paulista na aérea. É vício, condicionamento, excesso de educação, chame do que quiser, mas está no sangue. A gente não pode ver um grupinho de pessoas que logo se enfia atrás, no bom sentido, claro! O clássico quer saber “Você tá na fila?”, os mais desconfiados perguntam “É fila?”, os mais bondosos explicam “Não é fila não!”, têm aqueles meio perdidos que querem saber “Onde começa a fila?”, na verdade seria melhor saber onde a fila termina, mas enfim,  os normais apenas olham e xingam – mentalmente ou na cara mesmo! Daí, estava eu no Peru, em Cuzco, esperando no hall de um teatro abrirem as portas para entrar na sala de espetáculos, e uma multidão começa a correr e se empurrar para formar, justamente o que? Uma fila! Fui reportada para aquele sensação de estar às cinco horas da tarde tentando embarcar no vagão do metrô sentido Corinthians-Itaquera. Algum ser humano deve ter percebido a minha cara de “Gezuis do céu, Vigi Maria!” e explicou que o peruanos não tinham o hábito de fazer fila e que, por questões de turismo, o presidente havia feito uma campanha para estimular a fila!! Sei lá se é verdade, mas com certeza, se tivessem me contratado, eu como boa paulista, saberia ensinar como se forma uma fila de uma maneira mais sutil. Primeiro você foca no alvo, pessoas aglomeradas, aí você vai discretamente andando até esse grupinho e finge que viu alguém conhecido, que recebeu uma ligação no celular e tenta se enfiar na frente de quem chegou mais cedo ao bolinho, se ninguém reclamar, o que raramente acontece, você dá um sorriso interno e se sente a pessoa mais esperta da humanidade, quando alguém reclamar, alguém tipo eu que não fura fila e já vai pronta pra tretar no bolinho de gente, você manda a pessoa se foder e não sai dali. Pobres peruanos, não sabem de nada inocentes!! 🙋👫👪👬👭

Enquete: isso é fila?; onde começa a fila?; você tá na fila?

Maledetta boccia!

Lembro de quando era pequena e via um monte de homem jogando umas bolinhas nas outras. Eles brigavam, discutiam e eu achava aquilo tudo surreal. Minha mãe, que na minha cabeça sempre foi um Google ambulante, antes mesmo de ele ser criado, deveria me explicar o que era aquilo. E minha mãe, em toda a sua doçura de trator, com muita impaciência, falava que era boccia (bocha em português), o mesmo que meu nonno jogava. E eu ia saber que meu nonno jogava isso como? Ele passou minha infância sentado no sofá ou perambulando pela rua! Adultos! Daí, vou crescendo e meus amigos insistem em jogar boliche, uma bocha metida a besta pelos carinhas dos Estates. Já expliquei que não tenho suporte emocional para jogar isso, odeio com todas as minhas forças. Para mim, amigos tinham que se encontrar pra ir pra bar, balada, cinema, festas e não boliche, coisa de velho, sobretudo na minha memória. Aí fico grande, cresço, fico adulta, me livro da bocha, me livro do boliche e, eis que surge o Curling. NÃO PODE SER!!! Um bando de marmanjo (a) com uma vassourinha correndo atrás de umas bolinhas ovais!! E ainda com comentários idiotas de comentaristas despreparados. NÃO PODE SER!! O mundo, com certeza, conspira contra mim. 🎳🎱💣

Enquete: vamos jogar bocha, boliche ou curling?

Paciência é o meu caralho! 

Paciência é um dom com o qual não fui agraciada. Talvez isso explique meu ódio por jogar xadrez – por que não posso falar durante a partida? Por que o adversário demora horas pra mexer uma simples peça? – odeio boliche, o ódio é tanto que sinto até o estômago revirar só com a ideia – ainda mais com grupos grandes, o que significa que minha vez vai demorar décadas para chegar, quando isso acontecer, vai passar em segundos e ainda minha bola vai para a canaleta; sem falar em ter que usar o sapato chulezento de um estranho (nojo total). Mas, acima de tudo, odeio aquele jogo das olimpíadas de inverno, aquele que as bolinhas não podem ser tocadas com uma vassourinha e que faz com que os jogadores (?) fiquem gritando, sempre em idiomas estranhos. Por isso mesmo, eu seria a pessoa perfeita para, quando em um momento de calamidade total, ser quem escolhe o integrante do grupo que será enviado em sacrifício para o bem de todos. Sabe aquela pessoa que fica falando “vamos todos morrer”, “não há como fugirmos”, “nada vai dar certo”? Pois então, eu não teria a mínima cerimônia em jogar essa pessoa pra fora do barco, no meio do oceano, ou largá-la no meio do deserto ou deixá-la para servir de alimentos para os abutres. Bom, só se essa pessoa fosse minha mãe, o tipo de gente que não ajuda em uma situação extrema e ainda faz o favor de atrapalhar. Nesse caso a gente bateria boca e eu jogaria minha cunhada para o sacrifício. Bem melhor. Dois coelhos com uma cajadada só! Pode sonhar né produção! 😱👿👩👎💣

Enquete: vamos todos morrer!; não há como fugirmos! e nada vai dar certo!